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Guias › Acordo de dívida à vista ou parcelado: como fazer a conta

Conteúdo educativo, com base em regras públicas. Não é consultoria jurídica ou financeira individual. A decisão é sempre da instituição, do órgão ou do Judiciário. Não há garantia de resultado.

Acordo de dívida à vista ou parcelado: como descobrir qual sai mais barato

No acordo de dívida à vista ou parcelado, a opção mais barata é a que tem o menor total pago, desde que caiba no seu mês. A parcela baixa engana. Para comparar de verdade, você precisa de três números para cada proposta: o total pago, o desconto efetivo e a taxa de juros que está embutida no parcelamento quando se compara com o preço à vista. As contas abaixo cabem numa calculadora de celular, e a última pode ser conferida de graça no site do Banco Central.

Material educativo. Não é consultoria financeira individual. Os cálculos são estimativas a partir dos números que você informa e não substituem a proposta formal do credor. A decisão é da instituição, e não há garantia de resultado.

Por que o desconto anunciado diz pouco

O valor cobrado hoje inclui juros, multa e encargos acumulados durante o atraso. Um "desconto de 70%" é calculado sobre esse valor inflado. Por isso duas propostas com desconto anunciado parecido podem ter custos bem diferentes, e uma proposta parcelada com desconto menor pode esconder juros altos. Compare as propostas entre si, pelo total que cada uma custa.

As três contas, com um exemplo

Exemplo hipotético, com números inventados só para mostrar o raciocínio. Uma dívida está sendo cobrada em R$ 5.000. O credor oferece três caminhos:

Proposta Condição
A R$ 1.500 à vista
B 18 parcelas de R$ 140, sem entrada
C Entrada de R$ 300 + 6 parcelas de R$ 230

Conta 1: total pago

Total pago = entrada + (número de parcelas × valor da parcela).

Logo de cara, a B custa R$ 1.020 a mais que a A. A C custa R$ 180 a mais.

Conta 2: desconto efetivo

Desconto efetivo = 1 − (total pago ÷ valor cobrado).

Esse é o desconto que você recebe de fato, depois de somar todas as parcelas.

Conta 3: a taxa de juros embutida no parcelamento

Essa é a conta que mais revela. A pergunta é: se o preço à vista é R$ 1.500, que taxa de juros mensal transforma esse valor nas parcelas oferecidas?

O valor financiado é o preço à vista menos a entrada. Na B, R$ 1.500. Na C, R$ 1.500 − R$ 300 = R$ 1.200.

Dá para achar a taxa por tentativa. Uma série de parcelas iguais, a uma taxa mensal i, vale hoje:

valor presente = parcela × [1 − (1 + i)^−n] ÷ i

Na proposta B (n = 18, parcela de R$ 140):

A taxa da B fica perto de 6,1% ao mês. Fazendo o mesmo com a C (n = 6, parcela de R$ 230, valor financiado de R$ 1.200), chega-se a cerca de 4,1% ao mês.

Para levar ao ano: taxa anual = (1 + taxa mensal)^12 − 1. No exemplo, a B equivale a cerca de 104% ao ano, e a C a cerca de 63% ao ano.

Duas formas de pular a tentativa:

O resultado lado a lado

A B C
Total pago R$ 1.500 R$ 2.520 R$ 1.680
Desconto efetivo 70% 49,6% 66,4%
Paga a mais que o à vista R$ 0 R$ 1.020 R$ 180
Juros embutidos ao mês nenhum cerca de 6,1% cerca de 4,1%

A B tem a menor parcela e é a mais cara. A C fica perto do à vista. A A é a mais barata, se o dinheiro existir.

A parcela precisa caber

O menor total pago só vale se você consegue honrar o acordo. Em muitos acordos, uma parcela atrasada cancela o desconto, e o saldo volta a crescer.

Calcule a parcela máxima assim: renda líquida do mês, menos gastos essenciais, menos parcelas que você já paga, menos uma folga para imprevistos. O resultado vale para a soma de todos os acordos.

Continuando o exemplo hipotético: se essa conta dá R$ 300 por mês, a B (R$ 140) cabe; a C cabe nas parcelas, mas a entrada de R$ 300 consome o mês inteiro; e a A não cabe hoje.

Quando vale juntar dinheiro e pagar à vista

Divida o valor à vista pela parcela máxima. No exemplo, R$ 1.500 ÷ R$ 300 = 5 meses guardando dinheiro. Se uma oferta à vista parecida continuar aparecendo, esperar esses meses pode sair mais barato que qualquer parcelamento. O risco é a oferta mudar. Ela pode piorar ou melhorar, e o credor não tem obrigação de repeti-la.

Se você parcelar e sobrar dinheiro no meio do caminho, o Código de Defesa do Consumidor permite quitar antes do prazo com redução proporcional dos juros (art. 52, § 2º). Pergunte ao credor o valor para quitação.

Cuidados com a conta

Se a conta não fecha nem com o básico, procure o Procon ou a Defensoria Pública e pergunte sobre as regras de superendividamento do Código de Defesa do Consumidor. Se o credor não fornecer os números por escrito, siga os canais gratuitos: SAC, Ouvidoria, Banco Central ou Consumidor.gov.br, Procon e, se nada resolver, Juizado Especial Cível ou Defensoria. Para preparar a conversa com o banco, veja o guia de como negociar dívida com banco.

Perguntas frequentes

É sempre melhor pagar o acordo à vista?

Costuma ter o menor total pago, mas só faz sentido se o valor não sair do dinheiro das contas essenciais.

Como sei quanto de juros tem no acordo parcelado?

Calcule a taxa que iguala as parcelas ao preço à vista menos a entrada. A Calculadora do Cidadão, do Banco Central, e a função TAXA das planilhas fazem isso.

Parcela pequena significa acordo barato?

Não necessariamente. No exemplo deste guia, a menor parcela era também a proposta mais cara, com juros perto de 6% ao mês.

O que é desconto efetivo?

É quanto você deixa de pagar em relação ao valor cobrado, depois de somar entrada e todas as parcelas.

Posso quitar o parcelamento antes do fim?

Sim. O Código de Defesa do Consumidor prevê a liquidação antecipada com redução proporcional dos juros. Peça o valor ao credor por escrito.

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Calculadora de Acordo (R$ 9,90): Planilha para comparar o custo total de cada proposta de acordo.

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