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Guias › Financiamento de carro: CET, tarifas e como comparar

Conteúdo educativo, com base em regras públicas. Não é consultoria jurídica ou financeira individual. A decisão é sempre da instituição, do órgão ou do Judiciário. Não há garantia de resultado.

Financiamento de carro: como comparar propostas pelo CET antes de assinar

A forma mais segura de comparar financiamentos de carro é pelo Custo Efetivo Total (CET) e pelo valor total a pagar, não pela parcela nem pela taxa de juros anunciada. O CET junta juros, tarifas, impostos e seguros numa taxa anual só, e o banco é obrigado a informá-lo antes da contratação.

O que é o CET e por que ele vale mais que a taxa

Pela Resolução CMN nº 4.881/2020, o CET inclui juros, tarifas, tributos, seguros e outras despesas ligadas ao crédito. Ele é expresso ao ano e deve vir com um demonstrativo que mostra cada componente em reais e em percentual. Esse demonstrativo precisa aparecer em destaque no contrato.

Veja o efeito num exemplo com valores ilustrativos: carro de R$ 70.000, entrada de R$ 20.000, taxa de 1,79% ao mês em 48 parcelas.

Cenário Parcela Total CET aproximado
Só os R$ 50.000 R$ 1.561,22 R$ 74.938,68 23,73% a.a.
Com tarifas e IOF R$ 1.645,53 R$ 78.985,37 27,52% a.a.
Com tarifas, IOF e seguro R$ 1.692,37 R$ 81.233,53 29,63% a.a.

A taxa de juros foi a mesma nos três casos. A diferença de mais de R$ 6.000 veio dos custos em volta dela.

Quais tarifas podem ser cobradas no financiamento de veículo

O Superior Tribunal de Justiça decidiu, em recursos repetitivos, as cobranças mais comuns:

Também não pode haver tarifa por quitação antecipada (Resolução CMN nº 3.516/2007), e a multa por atraso é limitada a 2% da parcela pelo Código de Defesa do Consumidor.

Seguro prestamista no financiamento de veículo é obrigatório?

Não. Pelo STJ (Tema 972), o consumidor não pode ser obrigado a contratar seguro com o banco ou com seguradora indicada por ele, e o Código de Defesa do Consumidor proíbe a venda casada. O seguro pode fazer sentido para quem sustenta a casa sozinho, mas deve ser escolha sua, com apólice e preço comparados. Lembre que, financiado, o seguro também paga juros.

Como comparar 3 propostas, passo a passo

  1. Calcule quanto cabe: some parcela, seguro do carro, IPVA, licenciamento, manutenção e combustível. A parcela costuma ser pouco mais da metade do custo mensal real.
  2. Peça propostas por escrito em pelo menos três lugares: banco do salário, outro banco ou cooperativa e a financeira da loja.
  3. Exija em cada uma: valor financiado separado por item, taxa mensal e anual, CET com demonstrativo, tarifas com nome e valor, seguro (se houver) e total a pagar.
  4. Compare pelo CET e pelo total. A menor taxa nem sempre é a mais barata: uma proposta com taxa menor e mais tarifas pode custar mais.
  5. Use a melhor proposta para negociar com a loja e peça a nova condição por escrito.
  6. Confira o contrato antes de assinar: números iguais aos da proposta, CET em destaque, sem tarifas vedadas e com cláusula de liquidação antecipada.

E as ofertas de "taxa zero"?

Compare com o preço à vista. Se o carro custa R$ 74.000 à vista e a oferta "sem juros" soma R$ 80.000 (metade de entrada e 24 parcelas), a taxa embutida fica em torno de 1,34% ao mês. O juro só não está escrito como juro.

Financiamento ou consórcio: qual o melhor?

Depende de quando você precisa do carro. O financiamento entrega o carro agora e cobra juros. O consórcio (Lei nº 11.795/2008) não tem juros, mas cobra taxa de administração, e a contemplação depende de sorteio ou lance. Juntar e comprar à vista costuma ser o mais barato, mas exige tempo e disciplina. Em um exemplo ilustrativo de carro de R$ 70.000 com R$ 20.000 guardados, financiar em 60 meses somou cerca de R$ 102.000 entre entrada e parcelas, contra R$ 81.900 de parcelas no consórcio (sem reajuste) e cerca de 30 a 35 meses para juntar.

Quitar o financiamento antes tem desconto?

Tem. O Código de Defesa do Consumidor garante a liquidação antecipada, total ou parcial, com redução proporcional dos juros. Em contratos prefixados de pessoa física, o desconto é calculado pela taxa do contrato, e é proibido cobrar tarifa por isso. Num financiamento de R$ 50.000 em 48 parcelas a 1,79% ao mês, quitar na metade custaria cerca de R$ 30.244, em vez dos R$ 37.469 que somam as parcelas restantes.

Perguntas frequentes

Posso financiar 100% do carro? Alguns bancos aceitam. Sem entrada, os juros totais são maiores e a dívida fica acima do valor do carro por mais tempo.

O banco é obrigado a informar o CET? Sim, antes da contratação, com o demonstrativo do cálculo. Anúncios que mostram taxa de juros também devem mostrar o CET.

Tarifa de avaliação do bem é legal? Sim, se a avaliação foi feita. Você pode pedir o laudo ou relatório da avaliação; se o serviço não foi prestado, a cobrança é abusiva.

Posso pedir o saldo devedor a qualquer momento? Sim. O Documento Descritivo do Crédito (DDC) deve ficar disponível nos canais eletrônicos ou ser entregue em até 1 dia útil.

Posso levar o financiamento para outro banco? Sim, pela portabilidade de crédito, sem aumentar o saldo nem o prazo restante.

Material educativo. Valores e taxas são ilustrativos. Não é consultoria financeira individual. A decisão sobre aprovação e condições é sempre da instituição financeira.

Quer o passo a passo completo com modelos? O guia Financiamento de Carro: compare propostas antes de assinar traz o roteiro de conversa na loja, o contrato cláusula por cláusula, 4 casos práticos, 10 modelos de mensagem e uma calculadora que encontra o CET a partir da parcela e compara 3 propostas.

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