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Amortizar financiamento: reduzir a parcela ou o prazo?
Quem consegue juntar um dinheiro extra e decide amortizar o financiamento recebe do banco uma pergunta: manter a parcela e encurtar o prazo, ou manter o prazo e diminuir a parcela? As duas opções reduzem juros, mas em proporções diferentes. Abaixo, a conta feita com um exemplo e os critérios para escolher.
O que é amortização extraordinária
Amortização extraordinária é um pagamento extra, fora das parcelas, que abate o saldo devedor. O Código de Defesa do Consumidor (art. 52, § 2º) assegura a liquidação antecipada do débito, total ou parcial, com redução proporcional dos juros. Pelas normas do Conselho Monetário Nacional (Resolução CMN 5.004/2022), o banco deve oferecer as informações e os meios para essa liquidação e, nos contratos com taxa prefixada, calcular o desconto com a taxa do próprio contrato. Desde dezembro de 2007, também é proibido cobrar tarifa por liquidação antecipada de pessoas físicas (Resolução CMN 3.516/2007).
Na prática, depois do pagamento extra o banco recalcula o contrato de um destes dois jeitos:
- Reduzir o prazo: a parcela continua igual e o contrato termina antes.
- Reduzir a parcela: o número de parcelas continua igual e cada uma fica menor.
O exemplo com números
Saldo devedor de R$ 35.000,00, taxa de 1,6% ao mês (20,98% ao ano), 36 parcelas restantes, sistema Price. Parcela atual: R$ 1.286,50. Se nada mudar, ainda serão pagos R$ 46.314,00.
Agora, um pagamento extra de R$ 10.000,00, logo depois da parcela do mês:
| Sem antecipar | Reduzir o prazo | Reduzir a parcela | |
|---|---|---|---|
| Parcela | R$ 1.286,50 | R$ 1.286,50 | R$ 918,93 |
| Parcelas que faltam | 36 | 24 (a última de R$ 595,20) | 36 |
| Total que ainda vai pagar | R$ 46.314,00 | R$ 30.184,70 | R$ 33.081,48 |
| Deixa de pagar (já descontados os R$ 10.000) | – | R$ 6.129,30 | R$ 3.232,52 |
Reduzir o prazo deixa de pagar R$ 2.896,78 a mais. O motivo é simples: com a parcela mantida, o saldo cai mais depressa e passa menos tempo rendendo juros.
No sistema SAC, com os mesmos números, o efeito é parecido: reduzir o prazo (de 36 para 26 parcelas) deixa de pagar R$ 5.015,56, e reduzir a parcela (a próxima cai de R$ 1.532,22 para R$ 1.094,44) deixa de pagar R$ 2.960,00.
Então sempre vale reduzir o prazo?
Em juros, sim. Mas o orçamento também conta. Reduzir a parcela pode ser a melhor escolha quando:
- a parcela atual está apertando e há risco de atraso;
- a renda vai cair nos próximos meses (aposentadoria, licença, fim de contrato);
- a folga mensal será usada para quitar outra dívida com juros maiores.
Reduzir o prazo costuma ser melhor quando a parcela cabe com folga, já existe reserva de emergência e o objetivo é sair da dívida antes. Se o contrato cobra seguro ou tarifa mensal, menos meses também significam menos meses desses custos.
Há um meio-termo: escolher reduzir a parcela e continuar pagando o valor antigo. A diferença vira uma amortização todo mês e, se o banco abater esse valor no saldo, o resultado fica igual ao de reduzir o prazo, com a liberdade de voltar a pagar só a parcela menor se precisar.
Amortizar ou guardar o dinheiro?
Cada real amortizado deixa de pagar a taxa do contrato. No exemplo, isso equivale a 1,6% ao mês. Compare essa taxa com o rendimento líquido que o dinheiro teria guardado. Antes de qualquer amortização, porém, vem a reserva de emergência: o valor amortizado não volta para a conta se surgir um imprevisto.
Quem tem mais de uma dívida deve amortizar primeiro a de maior custo efetivo. Uma conta rápida ajuda: saldo × taxa ao mês mostra quanto de juros cada dívida gera por mês, e cada R$ 1.000 pagos numa dívida a 5,5% ao mês evitam R$ 55 de juros mensais, contra R$ 16 numa dívida a 1,6%.
Como pedir a simulação ao banco
- Baixe o Documento Descritivo de Crédito (DDC) no aplicativo. Ele traz saldo devedor, taxa, prazo restante e sistema de amortização. Se não estiver disponível, peça pelo chat: nos canais à distância, o prazo de entrega é de até 1 dia útil.
- Procure a opção de amortizar ou antecipar no aplicativo. Se não houver, peça por escrito duas simulações: uma reduzindo o prazo, outra reduzindo a parcela, com o novo saldo e a taxa usada.
- Confira os números com uma calculadora ou planilha antes de pagar.
- Pague só pelos canais oficiais do banco e guarde o comprovante.
- Depois, baixe o DDC novo e confira o saldo e o prazo.
Se o banco recusar a amortização parcial ou cobrar tarifa, peça a recusa por escrito e leve à Ouvidoria (resposta em até 10 dias úteis). Sem solução, registre a reclamação no Banco Central ou no Consumidor.gov.br.
Perguntas frequentes
O banco pode cobrar multa por eu amortizar? Nos contratos com pessoa física firmados desde dezembro de 2007, é proibida a tarifa por liquidação antecipada, total ou parcial.
Posso usar o FGTS para amortizar? No financiamento habitacional, sim, se você e o contrato cumprirem os requisitos do FGTS. Isso vale para o SFH e, desde 12/06/2021, também para contratos do SFI com imóvel dentro do limite do SFH. No financiamento de veículo, não.
Antecipar as últimas parcelas é a mesma coisa que reduzir o prazo? O efeito é muito parecido. As parcelas mais distantes têm mais juros embutidos, por isso o desconto ao antecipá-las é maior.
Pagar a parcela alguns dias antes do vencimento dá desconto? Pouco ou nenhum: só os juros dos dias, se o banco calcular dia a dia.
No SAC ou na Price, a amortização vale mais? A lógica é a mesma nos dois: reduzir o prazo economiza mais juros. Os valores mudam porque o SAC já tem saldo caindo mais rápido.
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