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Como conferir as taxas da maquininha e o valor que caiu na conta
Para conferir as taxas da maquininha, você precisa de três coisas: a tabela de taxas do seu plano, o relatório de vendas e o relatório de recebimentos do aplicativo. Com elas, multiplica o valor de cada venda pela taxa contratada, calcula o líquido esperado e compara com o que entrou na conta. Se a diferença passar de alguns centavos, há uma causa, e ela quase sempre aparece em um dos relatórios.
Abaixo está o passo a passo, com as contas feitas à mão, para MEI e pequenas empresas.
Material educativo. Não é consultoria jurídica, contábil ou financeira individual. Taxas e regras variam entre empresas; a decisão é sempre da instituição ou do órgão. Não há garantia de resultado.
Quem cobra o quê em uma venda com cartão
A empresa da sua maquininha é a credenciadora (ou uma subcredenciadora, que fica entre você e ela). É ela que desconta a taxa de cada venda e paga você. Essa taxa se chama MDR, sigla em inglês para taxa de desconto do lojista. É negociada em contrato e não tem teto oficial.
Existe outra taxa com nome parecido, a tarifa de intercâmbio, que a credenciadora repassa ao banco que emitiu o cartão do cliente. Essa tem teto do Banco Central desde abril de 2023: 0,5% por transação no débito e 0,7% no pré-pago (Resolução BCB nº 246/2022). No crédito, não há teto. O teto vale para o intercâmbio, e não para o que você paga, mas serve de régua: uma taxa de débito muito acima disso merece pergunta.
Para ter outra referência, os dados abertos do Banco Central mostram que o MDR médio do 1º trimestre de 2026, ponderado pelo valor vendido, ficou perto de 1,08% no débito, 1,21% no pré-pago, 1,95% no crédito à vista e entre 2,26% e 2,40% no parcelado. São médias puxadas por quem vende muito, mas servem para negociar.
Passo a passo para conferir as taxas da maquininha
1. Junte a tabela do seu plano
Baixe o contrato ou salve um print da tabela de taxas com a data. Anote a taxa de débito, crédito à vista, parcelado (a taxa costuma mudar conforme o número de parcelas), Pix, pré-pago, aluguel e antecipação. Se a taxa anunciada era promocional, anote até quando ela vale.
2. Baixe os dois relatórios
No aplicativo ou portal, procure o relatório de vendas (cada venda com modalidade, parcelas e taxa) e o relatório de recebimentos, às vezes chamado de extrato de pagamentos (o que caiu em cada dia e os descontos).
3. Calcule o líquido esperado de cada venda
A conta é simples. Exemplo hipotético: venda de R$ 350,00 no crédito à vista, com taxa de 2,99%.
- Desconto: 350,00 × 2,99% = R$ 10,47
- Líquido esperado: 350,00 − 10,47 = R$ 339,53
Faça isso para uma amostra de vendas de cada modalidade. No parcelado sem antecipação, cada parcela cai em um mês diferente: some as parcelas quando todas tiverem entrado.
4. Compare com o que entrou
Se o recebido bate com o esperado, ótimo. Se ficou abaixo, procure a causa na lista da próxima seção antes de reclamar. Repetir a conferência uma vez por semana, ou pelo menos uma vez por mês, evita descobrir um problema meses depois.
Por que o valor que caiu na conta é diferente
As causas mais comuns:
- Taxa diferente da contratada. A promoção acabou, o plano mudou de faixa ou a tabela foi reajustada.
- Antecipação automática. Um desconto extra nas vendas a crédito que você talvez nem saiba que contratou.
- Modalidade errada. Débito registrado como crédito, ou parcelado com outro número de parcelas.
- Aluguel ou mensalidade, descontados em geral uma vez por mês.
- Cancelamento, estorno ou chargeback. O chargeback é a reversão de uma venda pedida pelo cliente ou pelo emissor do cartão, por fraude, falha ou desacordo comercial.
- Garantia ou cessão de recebíveis. Se a empresa deu as vendas futuras como garantia de um empréstimo, parte do dinheiro vai direto para o credor.
- Arredondamento, de poucos centavos. Esse é normal.
- Data ou conta. Pagamento que caiu em feriado, ou conta de recebimento cadastrada errada.
Quanto custa de verdade a antecipação
Antecipar é receber hoje o que cairia no futuro, pagando um desconto. A taxa costuma ser anunciada "ao mês" e aplicada proporcionalmente ao tempo que falta para cada parcela cair.
Exemplo hipotético: venda de R$ 600,00 em 3 parcelas, taxa por venda de 3,49% e antecipação de 1,99% ao mês, pelo método simples.
- Líquido sem antecipar: 600 × (1 − 3,49%) = R$ 579,06, ou 3 parcelas de R$ 193,02
- Desconto da 1ª parcela (1 mês): R$ 3,84
- Desconto da 2ª parcela (2 meses): R$ 7,68
- Desconto da 3ª parcela (3 meses): R$ 11,52
- Recebe hoje: R$ 556,02
O custo total dessa venda foi de R$ 43,98, ou 7,33% do valor bruto. Quanto mais parcelas, mais pesa a antecipação. Compare esse custo com o de outras fontes de dinheiro para o caixa antes de manter a antecipação ligada em todas as vendas.
Se quiser desligar a antecipação automática, peça por escrito e guarde o protocolo. Pelas regras do Banco Central, desde maio de 2026 a credenciadora deve cancelar a antecipação pré-contratada em até 4 dias úteis após o pedido. Pergunte antes qual taxa por venda passa a valer sem ela.
Agenda de recebíveis: onde ver o que ainda vai cair
Cada venda no cartão vira um valor a receber em uma data futura. O conjunto desses valores é a sua agenda de recebíveis, registrada pela credenciadora em uma entidade registradora autorizada. A credenciadora é obrigada a oferecer um canal eletrônico para você consultar a agenda, com valor bruto, deduções, valor livre e contratos que comprometem parte dela, e para contestar contratos que você não reconhece. Procure no app algo como "agenda", "recebíveis" ou "valores futuros".
Quando a diferença não se explica
Use canais que geram protocolo e anexe os relatórios. Um pedido curto funciona:
Nas vendas de [período], o líquido recebido foi R$ [valor], e o esperado pelas taxas do meu plano é R$ [valor]. Solicito a tabela aplicada a cada venda, a discriminação de todos os descontos e a correção da diferença, se a cobrança não corresponder ao contratado. Peço o número de protocolo.
Se não resolver, siga esta ordem, toda gratuita: atendimento da credenciadora, ouvidoria da empresa, reclamação no Banco Central (gov.br ou telefone 145, aceita pessoa jurídica), Consumidor.gov.br (apenas para MEI), Procon para orientação e, por fim, o Juizado Especial Cível, onde MEI, ME e EPP podem entrar com ação e, até 20 salários mínimos, sem advogado.
Perguntas frequentes
O que é MDR da maquininha?
É o percentual que a empresa da maquininha desconta de cada venda. Está no seu contrato e no aplicativo, varia por modalidade e é negociável. Não há teto oficial para ele.
Existe limite para a taxa da maquininha?
Para o MDR, não. O Banco Central limita só a tarifa de intercâmbio no débito (0,5%) e no pré-pago (0,7%). Ela é uma parte do custo da operação, e não a taxa que você paga.
Como saber se tenho antecipação automática?
Veja no contrato e no relatório de recebimentos se as vendas a crédito estão caindo antes do prazo normal do plano, com um desconto extra. Na dúvida, pergunte por escrito à empresa se o plano inclui antecipação pré-contratada.
Posso cobrar mais caro no cartão do que no Pix?
Sim. A Lei nº 13.455/2017 permite preço diferente conforme o meio ou o prazo de pagamento. Se der desconto no Pix ou no dinheiro, a informação precisa ficar visível ao cliente.
O que faço quando recebo um chargeback?
Veja no aplicativo o motivo e o prazo para enviar a defesa, que costuma ser curto. Junte comprovante da venda, nota fiscal, comprovante de entrega e conversas com o cliente, envie pelo canal da credenciadora e guarde o protocolo.
Como comparar maquininhas de um jeito justo?
Use o seu volume real de vendas por modalidade e some todas as cobranças: taxas, antecipação, aluguel e preço da máquina. A taxa anunciada sozinha não mostra o custo total do mês.
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